Tod@s os runners que enfrentam a mítica distância dos 42 km exercem antes uma preparação tanto física como psicológica. Tod@s já ouviram falar do que é isso de “bater contra o muro”, já ouviram mil e uma anedotas de corredores que se confrontaram cara a cara com essa parede de betão, alguns dos quais souberam enfrentá-la e outros, pelo contrário, ficaram pelo caminho por não encontrarem nenhum atalho para contornar o MURO. Os nossos amigos dos Lovelyrunners explicam-nos o que é o muro.
O que é a barreira? Qual é a causa? Porquê no km 30?
A barreira pode definir-se como a fadiga física e mental que faz com que tenhamos de baixar o ritmo de corrida e até abandoná-la nos últimos dez quilómetros. A causa disso é que as reservas de glicogénio no organismo chegam ao fim e o organismo, para poder continuar a funcionar, recorre às reservas de gordura, que não podem ser queimadas tão eficientemente. Ou seja, deve-se à transformação dos hidratos de carbono, que se consomem rapidamente e como um corredor em média pode armazenar mais ou menos umas 2.000 quilocalorias no seu corpo, essas quilocalorias esgotam-se em torno do quilómetro 30. Assinalar que nem todo o corredor tem necessariamente de passar por esta experiência, pois existem múltiplos fatores que influenciam isso como a percentagem de gordura no corpo, o peso, a velocidade e o estado físico.

Dado que sem dúvida preparar-se psicologicamente (assim como fisicamente) para o possível encontro com a barreira aumenta a garantia de a poder vencer, aqui ficam alguns conselhos de como treinar a mente e que técnicas psicológicas podes empregar para sair airoso do encontro.
Sem dúvida, tal como treinamos o físico também temos de treinar a mente, e uma estratégia para isso é antecipar as consequências, com o objetivo de que se conseguires familiarizar-te e gerir de maneira adequada as diversas sensações com as quais vais ter de batalhar durante a maratona, a satisfação que experimentarás facilitará cruzar a linha de meta. Por exemplo, não deves cair na armadilha de acreditar que a sensação de frescura que te acompanha durante os primeiros kms de corrida será eterna, ou quando devido aos pelotões, aceleras o teu ritmo e te encontras com um cansaço maior do que o esperado.
Especial atenção deves ter com os últimos 10 quilómetros de corrida, tens de evitar cair na autocrítica e nas autorrepreensões; o único que conseguirás é afundar-te com maior facilidade. Se sentes fadiga, se te acompanha uma dor lancinante desde o km X, se os teus auscultadores ficaram sem bateria, se vais a um ritmo muito mais abaixo do desejado… se focalizares a tua atenção nisso, a barreira aparecerá com toda a certeza e o teu rendimento ver-se-á afetado de forma drástica.
Então, o que podes fazer? Pois bem, perante as situações acima descritas, ser-te-ão úteis empregar algumas das seguintes técnicas psicológicas desportivas com o objetivo de conseguir manter o teu nível de concentração durante a corrida.
- Técnicas de respiração que são fundamentais para diminuir os níveis de ansiedade.
- Técnicas de relaxamento como a Técnica de Relaxamento Progressivo de Jacobson (uma das minhas preferidas) que te ajudarão a controlar o nível de ativação.
- Técnicas de visualização como imaginar-se a cruzar a meta em condições físicas e psicológicas boas.
- Elaboração de pensamentos positivos, controlo de pensamentos.
- Técnicas de meditação onde os pensamentos positivos aumentarão a tua confiança para conseguir acabar a maratona.
- Elaboração de uma estratégia de corrida.
Por último realçar, que é preciso ter confiança em si próprio, mas cuidado, é preciso saber encontrar o equilíbrio para que esta autoconfiança não se volte contra nós mesmos, e desta forma sobreestimemos as nossas possibilidades o que nos abre a via ao fracasso e abandono.
Lembra-te que preparar o teu nível mental é um dos fatores que determinará em grande medida que percorras esses 42 kms ou não, sobretudo perante a temida barreira do km 30; a autoafirmação e a força de vontade são garantia de sucesso.

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