A tendinite da pata de ganso, conhecida também na medicina como tendinite anserina, é a inflamação do tendão anserino que se encontra na zona interna do joelho. O tendão anserino é formado pela confluência de três músculos que se denominam sartório, reto interno e semitendinoso; estes três músculos inserem-se na parte interna inferior do joelho.
A tendinite da pata de ganso provoca dor de intensidade variável na face interna do joelho, dor que aumenta ao subir e descer escadas ou ao agachar-se. Os especialistas indicam que por trás desta doença podem estar diferentes fatores: anatómicos e funcionais, biomecânicos, metabólicos e imunitários… Também apontam a obesidade e a idade como causas da tendinite da pata de ganso, mas também é um problema que tem uma incidência considerável em corredores de longa distância.
Os corredores que sofrem com a tendinite da pata de ganso muitas vezes não sabem a que se deve o seu problema. Na realidade, existem diferentes motivos que podem ser a causa em pessoas que correm: micro ou macro traumatismos, esforços intensos continuados, excesso de exercício e, por vezes, até por causas desconhecidas e sem que exista um motivo claro.
Sintomas da tendinite da pata de ganso
Tudo começa para a pessoa afetada com uma sensação de dor no joelho, fundamentalmente na face interna da perna e por baixo do joelho, semelhantes às dores articulares. Os incómodos são mais evidentes ao levantar-se, embora atenuem ao longo do dia e voltem a aumentar à noite.
A dor, caso não seja tratada rápida e adequadamente, pode intensificar-se e até propagar-se ao resto do joelho. Nos casos mais complexos (por não terem sido tratados em tempo e forma) acaba por se tornar um problema crónico do joelho que afeta o resto da perna e tornozelo, provocando com alguma frequência a associação lesional da tendinite da pata de ganso com entorse do tornozelo, especialmente se existir um problema de excesso de peso.
A pessoa que sofre de tendinite da pata de ganso, além da dor, pode ter dificuldades na marcha e instabilidade. Por vezes, também é possível que a pessoa afetada se depare com o problema adicional de acabar por danificar o outro joelho por sobrecarga, como consequência de forçar o apoio na perna que não tem dor.
A tendinite da pata de ganso é uma patologia que se pode prestar a confusão, porque sendo de partes moles (ou seja, não afeta basicamente o osso nem a articulação), não é visível nas radiografias comuns do joelho. Não é incomum que se diga ao paciente que nas radiografias não se vê nada e, portanto, que se minimize a importância do incómodo.
Ou pode ser ainda pior: encontra-se alguma artrose e diz-se que o problema é de artrose do joelho, para depois dizer que não há tratamento possível (e não é verdade); é certo que podem coincidir e coexistir ambos os problemas (tendinite da pata de ganso e artrose do joelho), caso em que será necessário tratar ambos os problemas e é algo que atualmente se faz com muito sucesso.
O que pode provocar a tendinite da pata de ganso no caso de corredores?
As pessoas que correm e podem ter maior predisposição a sofrer de tendinite da pata de ganso são aquelas que tiveram micro ou macro traumatismos na zona de inserção do tendão anserino. Também é possível que a causa esteja relacionada com uma má passada ao correr, geralmente no caso de pessoas com pronação. Também se indica como causa o uso de sapatilhas com pouca amortização ou inadequadas para correr por não serem de corrida ou estarem em mau estado.
Outras causas apontadas por especialistas são:
- Apresentar protuberância (inchaço) na face interna do joelho que produza atrito nos tendões.
- Apresentar desvio no eixo do joelho (geno valgo ou joelhos em X).
- Não realizar alongamentos adequados após o treino ou a competição.
Tratamento para a tendinite da Pata de Ganso
O nosso primeiro conselho é procurar de imediato, assim que surgirem os primeiros incómodos, um especialista. No caso da tendinite da pata de ganso é muito importante colocar-se o mais rapidamente possível nas mãos de um especialista que possa identificar o problema, diagnosticá-lo e procurar o melhor tratamento possível para lhe dar solução no menor tempo possível (deixar de correr é o pior castigo para um corredor, por isso, quanto menos tempo demorar a recuperação, melhor).
Recomendações que podemos oferecer seguindo o conselho dos profissionais médicos são as seguintes:
- Repouso desportivo. Pode ser suficiente descansar uma semana ou dez dias. Se os incómodos não forem excessivamente dolorosos, podem-se fazer alongamentos dos músculos isquiotibiais.
- Crioterapia (aplicação de gelo) 3 ou 4 vezes ao dia durante 15 minutos. O gelo só é justificado nos 2 ou 3 primeiros dias e sempre que a zona (face interna da perna por baixo do joelho) se apresente inflamada, vermelha ou quente em comparação com a outra perna. A aplicação excessiva de gelo pode levar a um abrandamento e cronificação da lesão, uma vez que o gelo, pela sua própria natureza, abranda e estagna a circulação tanto de sangue como de energia.
- Se passados 2 ou 3 dias a zona continuar vermelha, inflamada e quente, pode-se fazer criomassagem, ou seja, massagem com gelo, para o que é muito útil colocar um copo de plástico com água no congelador e, quando congelar, cortar a parte de cima do copo para que o gelo fique livre e com isso fazer massagens em círculos amplos sobre a zona.
- Se já não houver inflamação, calor, vermelhidão na zona, pode-se aplicar calor húmido sobre a zona para estimular a circulação de sangue e energia e alguma pomada homeopática à base de arnica montana.
- As cataplasmas de argila verde feitas com harpagófito têm alto poder anti-inflamatório.
- Se for uma lesão que se repete, seria conveniente o estudo biomecânico da passada por parte de um especialista que determine se existe a necessidade de palmilhas. Em ciclistas também pode ser devido a um mau alinhamento do corpo com os pedais ou o selim. Se for uma lesão ocasional ou bem produzida por um traumatismo não é necessário.
- Se existir inflamação, recomenda-se medicação anti-inflamatória, sempre prescrita por um médico.
- Fortalecimento muscular principalmente do quadricípede, com ênfase no vasto interno, assim como aumentar a flexibilidade do tensor da fáscia lata.
- Modificação do treino tanto em intensidade e frequência como na superfície por onde se corre.
- Utilizar calçado adequado para correr, com suficiente absorção de impacto para assim evitar possíveis problemas de tendinite da pata de ganso.
- O tratamento de fisioterapia (massagem, ultrassom, TENS, crioterapia, mobilizações articulares) é necessário em muitos casos para aliviar os sintomas e prevenir recaídas.



















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